A vida é um milagre
IZABEL TELLES (dezembro 2010)
Nunca pensei em ir para a Índia. Não estava nos meus planos viajar para tão longe. Sempre ouvi dizer que na Índia não se podia beber água, nem comer, nem tocar em nada porque tinha ratos e outras ameaças.
Nessa mania do ser humano de sempre iluminar o lado ruim das coisas, fui me afastando, deixando de incluir este país nos meus planos de voo.
No entanto, durante uma conversa de mesa de jantar uma amiga me respondeu quando perguntei como a Índia tinha sido colonizada pelos ingleses, que a Índia tinha sido um presente dos portugueses para os ingleses quando do casamento de uma rainha lusitana com um rei bretão.
Isso mexeu comigo. Se os portugueses chegaram nas Índias dentro de suas caravelas — e essa viagem deveria durar meses a fio –, por que eu não poderia enfrentar 20 horas de avião?
Chamei do fundo da minha alma a minha força lusitana e abri todos os meus poros para a possibilidade de conhecer esse território.
E, de repente, sem mais nem menos um amigo terapeuta comentou que estava saindo um grupo para a Oneness University e se eu não queria ir.
Fui imediatamente. Essa viagem já estava preparada dentro de mim e eu nem sabia.
Não fui eu que encontrei a Índia.
Foi a Índia que me descobriu
Claro que fiz a viagem via Londres e desembarquei no sul da Índia, indo diretamente para a Universidade.
Meus olhos curiosos percorriam toda a estrada e a paisagem não difere muito daquilo que a gente vê na periferia de São Paulo ou de algumas outras partes do Brasil.
A diferença é que os animais de grande porte, considerados sagrados, passeiam calmamente entre carros, motos, ônibus, bicicletas e gente. Muita gente.
A visão do templo da Onesness me impressionou muito. É uma obra gigantesca, toda em mármore branco, com flores de lótus no mesmo material encimando torrilhões e cúpulas.
Chegar aonde eu cheguei no sul da Índia é como voltar para casa. Mais especificamente para Aiuruoca, em Minas Gerais. Tem cheiro de fogão à lenha, galinhas correndo pelos cantos, vendinhas nas esquinas, crianças abanando as mãos com um grande sorriso na boca cheia de dentes brancos.
A diferença são 5000 anos de serviços ao Divino. Tudo na Índia é feito para o Divino: varrer a rua, arrumar flores num vazo, cozinhar, estudar, orar, carregar o que for nas costas, vestir, colocar joias… tudo faz parte da Bakti ioga– a ioga da adoração ao Divino! Então, nada é pesado, difícil, mal-humorado, de má vontade! Tudo é cheio de graça e beleza. Tudo é cheio de amor e dedicação.
Sou muito insignificante para pôr em palavras tudo o que vivi lá e fechar essa experiência em blocos de linhas e textos parece diminuir infinitamente o movimento de iluminação e elevação da consciência que se sente na Onesness University. Recomendo.
Entendi e senti profundamente muitos ensinamentos que vão ficar vincados na minha mente durante toda a minha existência e parece que finalmente tudo fez sentido, porque tudo se encontrou num só lugar, numa múltipla experiência que somada resultou numa explosão de contentamento e alegrias adolescentes que aos 61 anos não se crê mais que se possa sentir.
Tudo que vivi ficou impresso nas minhas células. Mas tem uma imagem que jamais vou esquecer e quero mesmo jamais esquecer porque essa será a imagem que vai embalar meus últimos momentos de vida, caso eu não possa escolher mais algumas.
Descrevo a visão:
Imagine os portões da Universidade sendo lentamente abertos e surge na minha frente um extenso gramado inglês verde e úmido. Neste gramado, sentadas no chão, cinco mulheres com os seus sáris multicoloridos e suas pulseirinhas douradas arrancavam ervas daninhas da grama. Ao redor delas, centenas de libélulas voavam como que para refrescá-las do profundo e abafado calor tropical. Elas falavam e riam mostrando dentes brancos e perfeitos e balançavam a cabeça de um lado para o outro num jeito tão gracioso e leve que lembra muito girassóis em busca do brilho do sol.
Já voltei da Índia. Se é que se volta de lá! Sonhei outro dia que eu era o rei bretão que ganhou a Índia de presente dos portugueses!
A arte da poda
IZABEL TELLES (outubro 2010)
Costumo aconselhar alguns pacientes a plantar uma árvore para representar nela e com ela a sua família.
Sugiro que escolham uma árvore frutífera, de preferência uma laranjeira.
Conto por que. Na Índia a laranjeira significa o encontro de duas metades perfeitas em seus frutos e a extensão e grandeza da árvore sugerem a família e seus relacionamentos. Algumas mulheres usam flores de laranjeira presas ao seu véu de casamento.
Bem, voltando ao plantio da árvore — que pode ser qualquer uma, desde que o paciente tenha pela espécie admiração, respeito e amor ao seu significado — peço que seja cavado um buraco bem profundo. No fundo do profundo devemos colocar frases de amor e gratidão aos nossos antepassados. De todos os lados — materno e paterno.
Sobre os nomes e frases recomendo que as crianças joguem algumas flores, fotos, pedaços de tecidos, alguns pequeninos objetos simbólicos (por exemplo, se a vovó foi costureira, jogar o dedal que ela usava) que tenham alguma ligação com aquelas pessoas .
Depois disso, a árvore pode ser colocada na cova.
A terra vai sendo jogada aos bocados com respeito e alegria até que ela fique bem presa ao solo.
Todos os membros da família podem cuidar da árvore. Regar, adubar, afofar a terra ao redor da cova e especialmente arrancar as ervas daninhas.
Mas o ritual mais importante que devemos fazer é o ritual da poda.
Quando o inverno chega, especialmente aquele que cobre nossos corações como a perda de um ente querido da família, ou uma separação, ou mesmo um momento em que precisamos partir e deixar um ciclo para trás até podermos voltar fortificados, renovados, dispostos a brotar novamente naquela árvore; é então hora de pegarmos uma tesoura, pacientemente passarmos graxa na sua mola, afiarmos seu corpo e num nascer do sol iniciarmos a poda.
Esta poda não tem de ser tecnicamente correta. Não é preciso. É uma poda feita com uma intenção e com a intuição.
Pensamos muito no que queremos eliminar daquele sistema familiar, ou do jugo de quem queremos sair, ou que elo queremos desmanchar, ou que comportamento queremos perdoar ou libertar definitivamente do clã. E assim por diante.
Fechamos os olhos e pedimos licença à árvore que está à nossa frente, explicando nossa intenção a ela.
Pés firmes no chão, tesoura nas mãos, vamos iniciando a poda repetindo mentalmente e firmando nas mãos a intenção daquilo que queremos eliminar. Deixamos os sentimentos aflorar. Raiva, medo, ódio, tristeza, abandono, saudade, alegria… seja o que for. Deixa vir tudo e vamos cortando, ouvindo o canto da tesoura.
Feita a poda, recolhemos os galhos podados e queimamos numa fogueira.
Passamos um rastelo no chão ao redor da árvore, afofamos a terra, abraçamos , honramos e agradecemos a árvore, regamos e só voltamos a vê-la dali a mais ou menos três meses.
O que vamos encontrar?
Muitos galhinhos novos saindo daqueles que podamos. Galhos verdejantes, ainda frágeis buscando novas direções, espiando uma brecha em busca do sol. Podemos encontrar uma nova floração que até parece uma antena parabólica buscando novos sinais!
Se a motivação que impulsionou a primeira poda permanecer, podemos cortar alguns dos galhinhos ou todos os brotinhos novamente. Lembre-se, não é uma poda técnica. É uma poda catarse. Ressignificando a intenção, reforçando o pedido.
Eu tenho uma linda laranjeira plantada no pomar do sítio de uma amiga.
Como não estou no Brasil neste momento, e se alguma emergência surge, ligo para ela e peço que faça a poda por mim. Amorosa como ela só, repete minha intenção de poda para ter certeza se entendeu bem meu pedido.
Entendeu sim, querida amiga. Você sempre entende porque conhece o poder de podar as laranjeiras!
Oração
IZABEL TELLES (outubro 2010)
Querido Deus, meu amigo, professor, mestre, companheiro desta imensa viagem que venho viajando há milhares de ano.
Por favor, meu paizinho, não me deixa esquecer de quem sou.
Não permita que eu me perca nas relações familiares baseadas na velha energia onde a posse, a inveja, o orgulho, as mágoas e as intrigas minam os campos do coração e espalham espinhos onde antes havia sementes de flores.
Não deixe que eu me anestesie pelas paixões da terra que vedam os olhos e transformam ogros em príncipes. Acorda meus ouvidos e grite dentro deles que a ilusão pode vir vestida em trajes de baile.
Abre meus olhos e se for preciso esfrega neles algum alvejante para que eu veja aquilo que vejo com minha intuição e não me engane mais com a perfumaria emocional. Que eu sinta o cheiro podre dos esgotos por onde andamos e que saiba encontrar o canal de fuga que leva a luz da superfície outra vez.
Corta meus pés se eles teimarem em caminhar com o bando de carneiros mansos pela surdez. Cegos pela ignorância do pequeno poder da terra e arranca do meu coração qualquer arrogância e prepotência.
Apaga da minha lousa mental os enganos que escrevi, não sabia que eles eram tão danosos.
Trás de volta para a minha alma o canto dos meninos índios, a dança das sacerdotizas, a alegria dos chocalhos recheados de sementes. Me faz ser inocente outra vez. Me arranca deste mundo de falsas fantasias. Já aprendi que as lantejoulas são de plástico e que não brilham como as estrelas.
Meu paizinho querido, não me deixa esquecer das coisas que eu já descobri. Não me deixa repetir as cenas que já encenei e que não gostei da minha atuação. Me tira desta produção alucinante e me devolve o mapa da floresta onde eu possa encontrar rios limpos, onde eu não tropece em embalagens amassadas de sabão em pó, em pacotes vazios de bolacha, onde eu possa colher da árvore uma fruta que não tenha sido envenenda por pesticidas.
Meu Deus, não me deixe esquecer de quem sou. Desperta meu espírito, dê voz a ele e me ajude a encontrar um pedaço de terra onde eu possa simplesmente descansar em silêncio.
O que importa mesmo não é o contentor. E sim o conteúdo.
IZABEL TELLES (São Paulo, 16 de agosto de 2010)
Tem muita gente bebendo lama em copo de cristal!
Ouvi esta frase hoje pela manhã quando fazia minha caminhada – meditação habitual.
Mas por que a minha mente me respondia com esta frase?
Faz hoje seis meses que vim morar num flat. Aluguei a minha casa, doei todo o recheio dela, fiz duas malas de roupas e complementos e passei a viver em 40 metros quadrados!
Domingo fui à Feira do Livro com meu filho e nora e falamos sobre a possibilidade de eu comprar um pequeno apartamento, em vez de pagar aluguel. Com esse dinheiro eu iria investindo em algo que daqui a mais ou menos dez anos seria meu!
E este foi o tema que levei para a minha caminhada esta manhã, dividida entre ir, para a Índia fazer um profundo mergulho no meu interior, ou ligar para os corretores conhecidos para começar a ver apartamentos.
Que dúvida!
Ponderava que comprar um apartamento seria, sem dúvida, um desejo de um homem jovem. Mas eu já tenho mais de 60 anos e não é mais hora de comprar copos de cristal, é hora de melhorar o vinho!
Passei a vida colecionando “copos de cristal”, investindo na minha casa, nos móveis, nas peças antigas que eu escolhia por onde andava. Passei anos me olhando no espelho, lastimando as rugas, mudando a cor dos cabelos, fazendo dieta, ginástica, cuidando do meu contentor.
Mas houve uma virada em todo o meu ser e isso tudo já não fazia mais sentido. Não me dava mais alegrias, contentamento, plenitude. Foi nesta altura que decidi aplicar toda a minha energia no conteúdo. E como foi bom! Como foi revelador e pacificador.
Não quero mais fazer parte do sistema estabelecido. Recuso-me a ser bombardeada pelas companhias de telefone, pelas TVs a cabo, pelas lojas, pelos bancos, pelo marketing de relacionamento.
Quero ser simples. Quero ter apenas o suficiente para viver absolutamente conectada com a Divina Inteligência, com o Universo celeste, o Cosmo. Quero que Deus encontre a linha desocupada dia e noite para falar comigo. Para me abençoar, inspirar, fazer revelações, abençoar as minhas células, abrir os meus canais sutis cada vez mais!
Não preciso mais de copos de cristal. Necessito da água da fonte e posso bebê-la na concha das minhas mãos!
Mas em todo caso, obrigada meu filho por se preocupar comigo. Obrigada por me ajudar a pensar, por buscar soluções, por investir sua energia, seu tempo para passear ao meu lado.
Eu te amo muito, mas preciso me livrar do contentor para poder nutrir cada dia mais com o meu conteúdo!
I believe in angels!
IZABEL TELLES (São Paulo, 5 de agosto de 2010)
Acordei muito inquieta, angustiada com o que tenho ouvido dos meus clientes: há uma questão meio que planetária tocando todas as pessoas: a comunicação entre elas. Pais não falam com filhos, filhos não falam com pais, maridos e esposas perderam a linguagem que os unia e quantos deles almoçam calados sem trocar uma só palavra durante as refeições. Seres leem jornais enquanto outros seres se retorcem no sofá em busca de atenção. E o diálogo não sai. E a conversa não flui. Com isso, estamos cada dia mais sozinhos, mais cada um no seu canto e a distância vai ocupando o espaço e os jogos eletrônicos e a TV vão roubando a cena. O celular virou o amigo com quem se “tecla” e o vazio vai sendo preenchido por comida, devorada ansiosamente por todos .
Nessa sociedade dividida onde um anúncio de hambúrguer é seguido por uma matéria jornalística sobre o colesterol; a foto da mulher que perdeu 50 quilos publicada na revista é seguida por um anúncio de chocolates faiscantes que dá água na boca e faz todo mundo sair correndo em busca do doce.
No nosso cotidiano a frase de cumprimentos foi substituída por:
- Como você emagreceu! (antigamente diríamos, por exemplo, -Como tem passado?)
- Está mais magra!
- Está a metade do que era!
E o que mais me angustia é que não dá para fazer nada. É olhar para isso tudo sentindo uma enorme impotência. Os seres humanos criaram seu espaço individual e dificilmente ouvem uns aos outros.
Bem, com esta questão em mente e angústia no coração, fui ao laboratório tirar sangue matutando que deve ser esta minha estrela da ordem que me impulsiona a querer pôr ordem no mundo (como se a minha ordem fosse a certa!).
Chego ao laboratório com 25 itens no pedido médico e feliz da vida digo à atendente.
- Ontem passei 45 minutos com uma colega sua ao telefone e já passei a ela todos os exames, de forma que ela garantiu que quando a senhora abrir o meu nome na tela todos os exames estarão escritos.
Ela me olhou com compaixão e retrucou:
- Isso não é verdade! A atendente não falou a verdade. Vou digitar novamente um por um.
Fiquei calada mas ela notou minha indignação comentando com o colega ao lado de sua baia:
- Mais uma que acredita que o pedido está na tela! O colega deu de ombros sem dizer nada.
Algo vibrou dentro de mim: lembrei-me das centenas de vezes que solicitei à Net para desligar a TV e do quanto eles me enrolaram… das mensagens mandadas ao meu celular insistentemente pedindo para eu voltar a ser cliente e de eu não conseguir falar com eles que eu não queria nunca mais ser cliente da Net e de ninguém mais que não respeitasse o diálogo com o consumidor.
Fiquei estranha, não sei dizer bem o que senti. Parecia que um tsunami crescia dentro das minhas entranhas e que minha pele estava sendo esticada além do limite suportável!
Quando entrei na sala de coleta, o enfermeiro disse que teria de tirar 25 tubinhos e precisava pegar uma boa veia. E não conseguia. Não conseguia. Pediu licença, saiu, e alguns minutos depois entrou um anjo negro, vestido de enfermeira, que me olhou nos olhos e disse:
- Vamos tirar os 25 tubinhos com a ajuda de Deus!
Pegou a veia do outro braço e começou a dizer que ela amava o filho dela, com o qual não tinha muita comunicação, mas que o amava e dizia todos os dias a ele que o adorava, amava, mesmo que ele estivesse longe dela e perto dos amigos na sombra das ruas.
E me falou de Deus, das canções que ela canta para Deus e do quanto ela é agradecida porque tem um emprego e um filho que ela ama, adora, e que agora já não pede mais nada para Deus, apenas agradece e que ela ama, esta conversa que ela tem com Deus todos os dias, o dia todo e que Deus tem sido muito amigo dela.
E ela me disse: sabe, quando você quiser muito um milagre faz o seguinte: combina com Deus que vai ficar 40 dias sem a coisa que você mais gosta. Oferece a Ele este sacrifício e vai ver como Ele reconhece o seu esforço.
Quando ela tirou o último tubinho de sangue, pulei para o colo dela e a abracei com muita força e saí para ir embora para casa.
Agradecida por ter tido a resposta que procurava, decidi que a partir de amanhã vou ficar 40 dias sem comer pão. Vou oferecer este imenso sacrifício (é a coisa que mais gosto de comer nessa vida!) para que exista diálogo entre os seres humanos, que caiam os véus da cegueira, da maldade, da ignorância, do egoísmo, do desrespeito, do desamor e que as pessoas se encontrem na união e no maravilhoso e curador poder do verdadeiro sentido do diálogo!
Obrigada anjo negro, cor do ébano, cor do amor!
I believe in angels!
Vovó vai colocar os óculos!
IZABEL TELLES (26 de julho, 2010/ São Paulo)
Final das férias de julho, levo minha neta Gabriela à Livraria Cultura para juntas e sentadas numa confortável cadeira admirarmos livros, desenhos, música. Um verdadeiro privilégio!
No fundo, uma música clássica. Muito rápida!, como notou Gabriela, porém extremamente suave.
Num canto da livraria, uma cafeteria nos acolhe para um pão de queijo e um suco de frutas. Um travelling feito com meus olhos semicerrados nutriu o meu coração com a paisagem mais organizada, colorida e pacífica que vi nos últimos 15 dias! Estávamos numa ilha de cultura, protegidos pela história, pelos sentimentos, pelo talento, cores, emoções, sabedoria, sabores que saltam dos livros e que como um cometa raro tinge nosso cotidiano de fagulhas de esperança e bem estar.
Quantos milhares de seres não estão ali presentes através de seus escritos, de seus relatos e tramas e poesia e mais uma montanha de coisas que nem sei como exprimir. Ali, ao alcance de nossas mãos, a um clic dos nossos olhos. Tateando uma das prateleiras, toco num livro grosso onde Frida Kahlo e seus amigos, e alguns desconhecidos capturados num instante furtivo de sua máquina de fotografias, são revelados num conjunto de imagens secretas encontradas nos seus guardados.
Passei os olhos pelas páginas e tive de volta a mesma emoção que experimentei quando na semana passada assisti a um dos filmes que contam a sua vida. As imagens mentais que ela pinta são simplesmente literais! Sua coragem de olhar para a dor física e emocional, seu desespero, sua paixão! Tudo reproduzido por contornos fotográficos em seus quadros – com um esboço muitas vezes quase infantil –, mas carregados da mais profunda emoção humana!
Realmente a arte salva! A cultura nos lembra quem somos e o desejo de iluminar a alma nos tira radicalmente da frente dessa prisão domiciliar chamada TV, de onde muitos não conseguem mais tirar os olhos!
E o por que do título deste texto? Para homenagear uma avó que vi na livraria, que, ao ser surpreendida por um livro imenso que seu neto pequenino arrastava pelo chão querendo aproximá-la de seu mais novo achado, disse a ele:
– Peraí, não desmarca a página que separou para me mostrar. Vovó vai pôr os óculos!
Sempre gostei da metáfora: vamos pôr os óculos!
A prática de Arteterapia
IZABEL TELLES (20 de junho, 2010/ São Paulo)
Ontem esteve comigo uma cliente de há muitos anos e no final da consulta ela me surpreendeu presenteando-me com quatro livros de sua autoria.
Livros que falam de sua maestria e profissão a qual se dedica há muitos anos: a arteterapia.
Seu nome? Patrícia Pinna Bernardo (pat.pinna@uol.com.br).
E sabe por que coloquei o e-mail dela? Porque os livros foram publicados pela autora e desta forma se você quiser desfrutar deste seu vasto conhecimento vai ter de pedir diretamente a Patrícia.
No livro A prática da arteterapia, Patrícia inicia sua narrativa publicando uma sessão que teve comigo, e a partir deste “gancho” ela vai desvendando seu imenso conhecimento sobre mitos, arquétipos, imagens mentais, desenhos e movimentos de seus pacientes e alunos, onde estas imagens tão significativas vão tecendo a nossa história pessoal como uma grande teia, iluminando os porões onde segredos escondidos fazem barulho no meio da noite e nos obrigam a despertar para sentir, afinal, o que eles querem nos contar.
Decifrar garatujas mentais, esboços emocionais, linguagens simbólicas e arquetípicas pode ser uma aventura sem igual. Sem igual mesmo! Na verdade, engrandece nossa consciência e nos revela o mapa da mina. A mina que guarda os nossos eternos e sublimes tesouros!
Parabéns Patrícia!
A parte contém o todo
IZABEL TELLES (20 de abril, 2010/ São Paulo)
Recebi esta semana um e-mail de uma leitora pedindo que eu escrevesse alguma coisa a respeito das influências dos terremotos e outros movimentos do planeta sobre os seres humanos.
Contava em seu e-mail que havia feito um workshop comigo em Carmões (Portugal) e que se lembrava do depoimento de uma das participantes relatando que lera em algum lugar que as explosões atmosféricas de Marte eram sentidas aqui na Terra pelos humanos — que nem se davam conta disso — em forma de insônias, dores de cabeça, mal-estar, tontura, taquicardia, sonhos e pesadelos fortes onde apareciam ondas gigantescas saindo do mar sem fim ou pessoas correndo em bando, apavoradas sem saber para onde ir.
Na minha visão sobre isso sou obrigada a concordar que se a parte contém o todo, somos parte do Cosmos e tudo o que nele acontece, acontece conosco também.
Quando assisto a estas manifestações da natureza, que parecem estar carregadas de fúria, penso que, como uma caixa d’água, tudo precisa de um ponto de escape quando o conteúdo ultrapassa o limite da capacidade do contentor.
Os seres humanos também precisam escoar suas águas emocionais quando sofrem alguma pressão do mundo externo ou mesmo interno. Por exemplo — e buscando um exemplo óbvio –, quando não podemos mais suportar uma dor emocional ou mesmo física nossos olhos despejam água em forma de lágrimas como se fosse preciso esvaziar, movimentar, dinamizar os líquidos que carregam nossos sentimentos e memórias.
Lembro-me de quando meu filho Gabriel voltou de um curso no Canadá, onde foi aprender uma técnica de energização dos corpos — e isso foi exatamente quando aconteceu o tsunami na Polinésia –, ele me disse que o professor pediu aos alunos que observassem o fato de que os elefantes saíram correndo para o interior muito antes de o tsunami devorar toda a região. Ele falava do instinto natural de perceber o movimento antes de ele acontecer, e que nós, humanos, tínhamos perdido este radar perceptivo ficando, assim, à mercê dos acontecimentos.
Digo sempre que a Grande Mente sabe, vê, observa tudo lá na frente. Temos no nosso registro humano um gigantesco radar que observa o Todo dia e noite. O mesmo radar que os animais têm para se orientar na busca da caça, para encontrar seu semelhante para a reprodução, para armazenar alimentos antes do inverno. Este radar avisa o nosso cérebro que é preciso fabricar mais hormônios para que tenhamos forças para fugir… ou ficar.
Infelizmente, a maioria da nossa espécie treina a percepção — quando treina — para captar as informações mais conectadas com o mundo prático, material, paupável, visível, dando muitas vezes pouca importância às informações sutis que vazam até o nosso ser através da nossa preciosa intuição.
Mas para isso precisamos ter o canal intuitivo desobstruído e limpo, cristalino. Mas, normalmente, temos este canal entupido por pensamentos recorrentes, sentimentos menos bons, planejamento das nossas finanças, preocupações com o futuro, com o passado, com os outros. Nadando no mar das distrações e das ilusões, este precioso canal não tem linha desocupada para nos avisar do que a mente já viu muito antes de abrirmos os nossos olhos a cada amanhecer.
Pinturas da alma!
IZABEL TELLES (abril, 2010)
Neste final de semana fui para a praia descansar um pouco de tudo que fiz desde o dia 20 de dezembro de 2010, quando voltei ao Brasil depois de ficar quase um ano em Portugal.
Sentia que precisava fechar um grande ciclo e abrir um novo.
Então, aluguei a minha casa, doei todo o recheio e fui viver num flat, onde tenho poucas coisas ao meu redor: o computador, as tintas para pintar as imagens que psicografo antes de iniciar a consulta com as pessoas que me procuram, meus livros favoritos, meus cds de música clássica e alguns livros para estudar italiano — a proposta mais recente para resgatar minha meia costela italiana.
Mas é sobre a pintura que quero falar um pouco hoje nesta nossa conversa: as imagens que fluem das minhas mãos cheias de cores e vibrações e que são entregues ao paciente no final da consulta.
Nunca pensei em fazer estas pinturas até que em meados de 2009 começo a ouvir uma voz que me diz que eu deveria pintar. By the way, a Lydia Wainer — astróloga — havia me dito há alguns anos que eu iria pintar as imagens que vejo na mente das pessoas. Quando ela me revelou isso eu não tinha a menor ideia de como seria possível.
Bem, mas voltando a 2009, quando intuí este convite dos mestres para pintar procurei uma escola de pintura em Lisboa. Fui visitar as Belas Artes em seu prédio totalmente reformado, fui ao ARCO, perto do Castelo de São Jorge, fui a uma galeria em Campo de Ourique, mas nada conseguia responder ao meu pedido. Parece que não era aquilo que eu buscava.
Pois bem, em janeiro de 2010, já em São Paulo, ouço novamente o convite que deveria pintar. Compro tintas, papéis e me disponho a pintar como fazia nos tempos em que psicografava. Sento-me à mesa, faço algumas respirações, peço ajuda aos seres de luz e me entrego, sem julgamentos ou críticas, a receber o que é preciso ser passado às pessoas.
E não é que, nesta primeira vez, sai uma cena bastante definida de um ser fechado numa caixa, sendo observado do alto da página por dois seres (provavelmente do passado) e uma linha azul que fluía do alto de sua cabeça e fugia do limite do papel, marcando a mesa onde eu estava sentada.
Olhei para o desenho e o deixei de lado ainda sem compreender o que ele me queria transmitir.
Naquele dia atendi uma pessoa cuja leitura das imagens tinha tudo, mas tudo a ver com o desenho. No final da sessão ofereci o desenho a ela e percebi que a imagem a tocou porque era a síntese do que havíamos falado poucos minutos atrás.
Neste momento compreendi o que os mestres queriam quando pediram para eu desenhar.
Hoje, cada pessoa que me procura leva também uma imagem pintada para fixar no seu cérebro através dos movimentos dos seus olhos. E esta ação acalma o meu coração, que vive tentando encontrar a imagem original das nossas sensações, uma vez que estamos impregnados por imagens que a mídia nos tem enviado ao longo de todos estes anos.
Você já pensou nisso?
Já se questionou sobre que imagem tinha de coisas e emoções antes de ser bombardeada por imagens criadas pelos meios de comunicação?
Por exemplo, como seria a imagem que sua mente criaria para representar um coração se o seu cérebro já não enviasse automaticamente o desenho de um coração como os que aparecem nas vitrines, nas ilustrações, nas caixas de bombom? Pense nisso!
N.B. A imagem que você vê no cabeçalho deste blog faz parte destas pinturas da alma!
Ilusões
IZABEL TELLES (28 de março, 2010)
Vivemos num mundo de ilusões.
Num mundo onde as distrações piscam por todos os lados nos chamando para elas. E algumas são tão sedutoras que não pensamos um minuto sequer e nos atiramos nos seus braços acreditando que ali está o repouso do guerreiro, o fim dos conflitos, das dores, dos sofrimentos, da solidão e da exclusão.
Mas algum tempo depois percebemos que sim, era mais uma nuvem que passava no nosso céu iludido e que o vento já a levou para o outro lado, deixando um imenso vazio e muitas vezes algum desespero.
E neste nada, onde boiamos como balões de gás lutando contra as correntes de ar, os nossos sentidos treinados acionam seus radares em busca de outra distração. Outros dez minutos onde eu não tenha de mergulhar dentro de mim mesmo e navegar por dentro das minhas veias e artérias procurando a verdadeira missão da minha alma. Mais dez minutos onde eu não tenha de perguntar ao meu coração o que ele busca nesta breve passagem pelo planeta azul. Mais dez minutos para que eu possa me enebriar com a televisão, com as compras, com a manutenção da minha casa exterior.
Nosso sensor de distrações é tão poderoso que se ele não encontrar nada para nos embaçar o foco principal, descobre logo numa das prateleiras do armário uma caixa de bombons que serão devorados em poucos minutos, entupindo nosso estômago e nos livrando do necessário exercício da prática do limite. E quem diz bombom, diz álcool, droga, relacionamentos viciados e tóxicos, e tudo que já sabemos de cor e salteado.
Sim, é profundamente desafiador desligar nosso sistema de radar treinado em rastrear distrações! Mas é tão necessário quanto nos preparar para um dia partir deste mundo de sonhos para finalmente viver a nossa ilimitada realidade!
Essa página tem as seguintes subpáginas.



Olá Izabel, adoro seus textos!
Olá Izabel, é a primeira vez que entro em seu blog, e estava admirando alguns de seus textos, simplesmente adorei, simpatizei com vc de cara. É uma pena que vc more tão longe, se não seria sua paciente.
Gostei muito!
voçê é uma pessoa estremamente consiente
e interessante e suas iseias são apreciaveis
Acabei de descobrir seu blog e estou apaixonada!
Parabéns pelo seu trabalho, sua sensibilidade e disposição em dividir isso com todos!
Um grande beijo!
Fascinante, ao mesmo tempo fantástico este processo de ver o interior das pessoas através de imagens!Como psicólogo universalista, percebo o quanto temos(eu) que aprender nestte vasto e maravilhoso complexo Universo no qual estamos inseridos como aprendizes dos Mestres da Luz.
Parabéns, o mundo precisa de pessoas do seu dom para tentar viver um pouco melhor longe das distrações do dia-a-dia.
J.L.Bigoni
Olá izabel, bom diaaaaaaaaaaaaaaaaa!
Conheci o seu blog e amei, quanta sensibilidade.
Obrigada por compartilhar esses momentos tão especiais, alimento para nossas almas.
Um grande abraço
Miriam
Um lindo anjo me trouxe até aqui…fiquei apaixonada pelo seu blog e por vc tb!!!!bjs
Estava justamente procurando ler alguma coisa pra melhorar minha auto estima e tive a sorte de encontrar seu blog, estou encantada, com certeza visitarei outras vezes. um abraço.
é tão bom “escutar” de pessoas experientes como voce aquilo que mais consome a minha energia, no fundo sabemos disso, mas somos estranhos nesse mundo que esta sendo movido sem valores. Não consigo viver se não for viver pelo conteudo.
Muito obrigada, que os anjos te acompanhem
obrigada, por existir e estar aqui, voce seja muito abençoada
Adoro o que você escreve. Tão verdadeiro, tão simples, tão vivencial que é impossível não aproveitar. Muito obrigada.
Boa tarde, Izabel,
Estava procurando uma imagem de floresta, de preferência pintura, e a achei no seu blog, cheia de cipós.
Gostaria de saber o autor.
Att.,
Lila
Querida Izabel: que bom reencontrar você, ainda que através dos seus textos, sempre profundamente inspirados e valiosos.
Pelo que li, você mudou. Se puder, me mande seu novo endereço. Há algum tempo estou pensando em retornar.
Abraços e até qualquer dia.
gostaria de ser sua paciente,passa me seus contatos por favor. muito obrigado
izabel querida, parece que estou te vendo com aquela voz
calma, cheia, redonda, falando coisas engracadas, bonitas, doces, profundas, e aquela gargalhada boa, aguadeira…
bom te reencontrar, querida. bom, bom. beijao!
Hoje eu queria estar perto de alguém muito consciente e de sabedoria … capaz de me apaziguar internamente nas minhas inquietudas lícitas de quem _ há muito _ caminha
por esta Terra. Há momentos em que, ATÉ por ter Coragem
e FORÇA (! ) a gente precisa de um amparo que nos “freie” com suave prudência e nos mostre uma indicação certeira daquilo que está dentro de nós mesmos… __ A gente tem todas as respostas… alí, adormecidas… à espera de algum
“sinal” p’ra vir à tona ocupar a consciência. Abri a máquina, busquei o STUM à procura do OSHO que, por certo, me levaria bem fundo, p’ro “olho do furacão”! Há uma frase do RILKE que me acompanha vida a fora: _”Sobretudo para o essencial nós estamos indisivelmente sós”._ ( ainda bem que tenho conexão boa comigo!). Ele me deu uma Carta inesperada e preciosa “COMPLETUDE”.Dentro do contexto atual, tudo a ver! Caiu a ficha. Corri p’ra Izabel Telles p’ra pedir um artigo sobre isso, talvez … E desde já agradeço!
Faria bem ao meu coração, como “complemento” e, eu creio
( ! ) a muitos de nós, como ela tem feito! Vera Lucia Weber
Que vontade de também ir morar em 40 m2, mas ainda cedo à família que quer tv a cabo, etc, tudo que consome o meu salário, a contra-gosto.
Parabéns pela matérias.
estava pasando por um momento de crise quando comecei a le seu ensinamento comecei a mim concentrar melhor.
e lindooooooooooooo
e lindo obrigada
Ola Isabel. Que bom ler seus textos.. Muito grata por estar entre nós. Espero vê-la e ouvi-la em breve…beijinhos desde a Ilha da Madeira. NAMASTÉ
Olá Izabel…Já li 2 livros seus e gosto das coisas que vc escreve na internet.
Boas Energias.
“No mundo há mistérios, no corpo há enigmas, mas no espírito e na mente humana se escondem os maiores segredos do universo.”
(Augusto Cury – O futuro da humanidade)